LOVE IS LOUDER THEN THE PRESSURE TO BE PERFECT

     
        E ela enfim se viu sozinha. O silêncio era sepucral, e a fez sorrir. Mas quase imediatamente, o sorriso se desvaneceu. Não havia felicidade nela. Não de verdade. Os motivos que a levaram até ali não eram bons, nem alegres, nem muito menos louváveis.
       “A vida cansa” – ela pensa, enquanto procura pela sua salvação no armário do banheiro. O problema é que na cabeça dela, a vida cansava apenas a ela. Não entendia que todos tentavam sobreviver aos mesmos problemas que ela. Chame de egoísmo. Ela não se importa. Como poderia se preocupar com aqueles que não se preocupam com ela?
       A navalha em suas mãos, há um leve tremor de excitação em seus dedos. Apenas alguns segundos, apenas mais alguns segundos até que a dor desapareça. E com esse pensamento, ela vai. Perfura sua própria pele. E naquele instante, tudo desaparece. É apenas ela e a sensação de dormência. E aquela sensação era tudo o que ela queria. A distração da dor que consumia o seu interior.
       Mas, cedo demais, acabou. A sensação some, e no lugar dela a mesma dor aparece novamente, mas desta vez mais forte, como que para lembrá-la de seu poder. Ela viu vermelho. Não só o sangue, mas todo o resto. A raiva tomou-a, e ela ergueu a navalha mais uma vez, desta vez perfurando mais fundo.
       Era como um jogo. E ela só percebeu que havia perdido quando era tarde demais. E ali, deitada em sua poça de seu sangue, ela se perguntou se havia valido a pena.
       “Não.”

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