Desabafo aleatório e plural

Preciso de um emprego.
Por todas as razões óbvias que ninguém nunca pensou em explicitar.
Preciso do papel que move o mundo:
dinheiro.
Só que não.
Não preciso dele.
Preciso de um trabalho remunerado que me traga desprazer.
Tristeza.
Cansaço.
Depressão.
Preciso de uma saúde precária para reclamar dos pulmões nas mesas de café
(já não tenho mais o que falar).
Preciso de um salário baixo,
pra poder querer algo que não posso ter.
Preciso de algo pra reclamar
o quanto antes
melhor!
Que tal agora?
A hora passa
e eu não sei sobre o que escrever.
Não tenho miséria
Não sou da favela
Tenho o que comer
Durmo sob um teto
Ganho abraços, beijos, um carinho materno
e um elogio sincero do meu pai.
As contas são pagas,
um sorriso de graça,
posso não ter o mundo,
mas o que tenho é seguro:
é meu,
pago com dinheiro limpo em notas sujas
e sei que de noite,
após a oração,
dormirei com a consciência tranquila
enquanto vocês, não.

– Aos mequetrefes públicos que reclamam de barriga cheia e consciência cumulus nimbus.

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