Publicado em Crônicas, O que danado for

“O BRASIL É UM LIXO” ou a minha carta aos demais membros da geração Y.

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Caríssimos,
Convivo diariamente com outros membros da geração Y, apesar de ser a mais nova entre eles. Ontem, tive a oportunidade de ensinar sobre um assunto pelo qual sou muito apaixonada para alguns representantes um pouco mais jovens da minha geração, que já nasceram nesse novo século. Então, perdoem-me se pareço prepotente, mas acho que tenho o direito de falar o que sinto sobre meus companheiros de vida, porque espero com eles conviver por longos anos, ainda.
Desde pequena, sempre me incomodei com a falta de patriotismo dos membros do nosso país, e aqui cutuco também aqueles nascidos antes da década de noventa. A frase mais comum aos meus ouvidos é “pretendo sair desse país”, em todas as possíveis formas variantes. Então essa é uma idéia que não só me é comum, como inclusive, até hoje, é uma com a qual me identifico. Eu realmente pretendo sair do meu país, um dia. Mas, ao contrário do que vejo ao meu redor, não é por vergonha ou decepção com a Pátria. Quero sair daqui porque, infelizmente ou felizmente, existem outros lugares com muito mais a me ensinar, e eu encontro-me em um momento de sede de conhecimento, embevecida por civilizações muito mais antigas que a minha, e por oportunidades que por enquanto, esse país não pode me oferecer.
Contudo, longe de mim ter vergonha do Brasil. Aliás, minto: tenho sim, tenho vergonha de algumas escolhas que tomamos, porque errar não é algo de que eu consiga sentir orgulho. Mas não quero fugir daqui, não quero ir embora porque é mais fácil sair do que lidar com a bagunça que deixaram pra minha geração limpar.
Olha, eu entendo. É muito difícil, pra não dizer chato, ter que arcar com as consequências de escolhas que não foram nossas. Por que limpar a casa após uma festa ter dado errado se não fomos nós quem propusemos o encontro? Se não foi por nossa causa que a besteira aconteceu?
Por que ficar pra trás e reorganizar um Estado quando não fomos nós que votamos pelos representantes que bagunçaram tudo?
O que me preocupa é que o sentimento que permeia meus colegas não é esse, mas um muito diferente. É a desesperança. Não é que eles estão procrastinando ter de servir de faxineira e depois de construtor, pra pegar os caquinhos do país que um dia quase foi algo e depois ter de começar tudo de novo, de uma maneira nova, é que eles acham que isso não é mais possível. Eles aprenderam com as gerações passadas todas as maneiras em que já foi tentado mudar a nação (mudar o mundo), e agora não vêem mais nenhuma opção. Somos uma geração derrotista, que já nasceu com os ombros caídos, curvados sob o peso de um fracasso que não nos pertence, mas que nos assombra e impede que tentemos, mesmo que cegamente, sair do fundo do poço.
Sim, eu disse cegamente. Sim, eu reconheço que não temos – pelo menos por enquanto – soluções viáveis. Mas isso não significa que devemos sentar no chão, cruzar os braços e olhar pra baixo, mal dizendo todos aqueles que vieram antes da gente por terem tentado tudo e não nos deixado nenhuma opção. Qualquer ação é melhor do que não agir. É melhor se levantar e gritar, pular, tentar escalar, mesmo sabendo que vamos cair de novo. É melhor refazer os planos, tentar novamente o que já foi tentado, do que ficar chapinhando na lama. Sabe por quê? Porque a nossa missão de vida não é desistir e nos tornarmos um novo tipo de geração perdida, só pela falta de planos de saída. Nossa missão é muito mais importante (penso eu) que qualquer outra: é hora de criar novos esquemas!
Sei que isso significa que não viveremos para ver os frutos das nossas ideias, que viveremos em um Brasil destruído – em um mundo destruído – mas, qual é a outra alternativa? É melhor oferecer às gerações futuras a possibilidade de ver o céu novamente do que criar uma nova camada de lama. Posso soar romântica ou utópica, prometo inclusive que sou pelo menos um dos dois, mas é melhor acreditar que conseguiremos melhorar o nosso país, melhorar o nosso mundo, acabar com o trabalho escravo, com a fome, com as guerras, conseguir a alfabetização universal, a igualdade dos sexos e morrer tentando do que não tentar por acreditar que o fracasso nos perseguirá, como fantasmas dos nossos antepassados.
Eu acho que devemos isso às gerações futuras. Devemos tentar.

Todos os dias, coloco minha armadura de guerra e vou à luta. Espero te ver do meu lado na batalha em breve!

Com amor,

Bárbara.

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Autor:

Minha profissão é mentir sobre tudo bem o suficiente para que vocês acreditem.

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