Meu ano na França: preparativos, parte II – o primeiro dossiê

Église Notre-Dame-la-Grande, de Poitiers (2017, minha autoria)

Continuando a grande saga que me trouxe à França, começamos a história de hoje em fevereiro deste ano, quando o dia indicado pela responsável pela mobilidade acadêmica internacional da minha universidade, a UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), para dar início ao processo, finalmente chegou. Esta me encaminhou um e-mail com uma lista de documentos exigidos, que deveriam ser entregues à coordenação do meu curso, para que fosse aberto o processo em questão pelo SIPAC.

Os documentos em questão eram: o formulário de candidatura de mobilidade internacional, disponibilizado no mesmo e-mail mas facilmente encontrável no site do SRI, o histórico das disciplinas já cursadas, traduzidas para o francês no meu caso, atestado de índices acadêmicos, impresso via SIGAA, a carta de apresentação de um docente, uma cópia da folha de rosto do SIGAA, para que fosse possível ver minha porcentagem de integralização do curso, uma cópia do meu passaporte, e uma carta de intenção redigida por mim.

Parece simples, não é? Mas eis que estou aqui para explicar como foi o processo de confeccionar esse primeiro dossiê.

Primeiramente, esse formulário de candidatura apresenta um espaço em que devemos listar as matérias que pretendemos pagar, ao mesmo tempo em que colocamos em uma coluna ao lado as matérias a que aquelas equivalem na nossa universidade brasileira. Só isso já me demandou bastante tempo: tive de ir atrás da lista de matérias do curso de direito da Université de Poitiers (UP) aos alunos estrangeiros e comparar com a lista de matérias oferecida pelo meu próprio curso. Felizmente, a primeira é extremamente organizada, e prepara todos os anos um livre d’accueil que contém um catálogo de todo o curso. Meu mentor, o professor pra quem eu trabalho, já havia me ajudado a pré-selecionar todas as matérias que seriam interessantes para mim, então o esforço maior foi de encontrar matérias da UFRN que poderiam ser relacionadas às estrangeiras. Fiz isso graças ao recurso disponível no SIGAA que me permite ver todas as matérias ofertadas não somente pelo meu curso, mas também por todos da Universidade.

Mas havia ainda a escolha dos travaux dirigés, ou seja, dos trabalhos dirigidos. Trata-se da possibilidade de aumentar os créditos de uma única matéria de forma a aprofundar os ensinamentos da mesma, tudo à cargo do aluno, por meio de exercícios demandados, pesquisas na biblioteca, etc. Eu ainda não sei como funciona na prática, mas deixarei-os informados. Minhas aulas começam em setembro, e pretendo que vocês acompanhem cada passo.

Mesmo considerando isso, seria uma tarefa relativamente fácil se não fosse pelo fato de que esse plano de estudos tem de ser aprovado pela minha coordenação, no intuito de que quando eu voltasse para o Brasil perdesse o menor tempo possível. Idealmente, eu continuaria lá o nono semestre, mas quando retornar, pagarei as matérias do sétimo mesmo, tendo vindo para a França no fim do meu sexto período. Obviamente isso já era esperado por mim, considerando que mesmo que eu pagasse matérias que tivessem o mesmo nome daquelas que estavam reservadas para os meus sétimo e oitavo períodos, estas tratariam na UP do direito francês, e não do brasileiro. Mas a burocracia me fez escolher algumas matérias só para manter a formalidade, infelizmente. Contudo, mesmo tendo escolhido a quantidade necessária para preencher os requisitos relativos à quantidade de créditos, serei obrigada a fazer uma escolha dentro das matérias que coloquei no formulário, porque ainda não foram disponibilizados os horários das matérias e é provável que eles se choquem.

Informação interessante: em junho ocorreu um seminário de direito internacional econômico, o qual ajudei a organizar no âmbito do Núcleo de Pesquisas em Direito Internacional da UFRN. Um dos professores que trouxemos ensinava em Poitiers, e se ofereceu pra me ajudar a montar o horário perfeito, com base nas matérias em que eu gostaria de pagar. É essa última peneiragem que levarei em consideração na hora de me matricular nas matérias em si.

O histórico das disciplinas cursadas foi bem fácil de obter, mesmo traduzido: por meio do sigaa, imprimi o documento em português e entreguei no departamento de tradução da Secretaria de Relações Internacionais, que ficava duas portas ao lado da sala em que tratei acerca da minha mobilidade internacional. Demorou menos de uma semana para ficar pronto, embora uma única pessoa fizesse tradução para francês lá, e não custou absolutamente nada. O atestado de índices acadêmicos era igualmente impresso via SIGAA, e não precisava ser traduzido.

A carta do docente vinha com algumas especificações no e-mail enviado pela responsável da secretaria de relações internacionais, mas são mais recomendações do que obrigatoriedades, considerando que deveria ser redigida pela coordenação mas conversando com a mesma, pude pedir ao meu professor, que tinha me proposto a ida à França e com quem trabalhava a um ano, ou seja, me conhecia muito bem, que a redigisse.

A porcentagem de integralização do curso era uma informação importante para a secretaria porque você só pode abrir um processo de mobilidade antes de estar perto de concluir seu curso. Infelizmente, não consegui mais encontrar a informação exata, mas pelo que lembro é que faltando menos de 20% a 40% a mobilidade não é mais possível.

Eu já tinha passaporte, que havia sido renovado recentemente, então a cópia da folha de rosto dele não foi complicada de se obter, e a carta de intenções eu só pedi ajuda ao meu professor para que ele conferisse o meu francês – não queria fazer feio, né?

Tudo pronto, entreguei os documentos à minha coordenação, que os submeteu à SRI, e eu pude acompanhar todo o andamento pelo SIGAA. Depois, foi só esperar a análise do meu dossiê por parte da Université de Poitiers e torcer pela chegada da minha carta de aceite, que deveria ser a parte mais demorada de todo o processo.

No próximo post eu te conto quando a recebi.

B.

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