As palavras nos aprisionam. As não ditas. As ditas. As direcionadas a nós mesmos, com tão pouca delicadeza que nem nosso pior inimigo poderia nos atingir tanto.
Passo meus dias rodeada de palavras. Em livros jurídicos, em mensagens mandadas e recebidas pelo celular, no ar a minha volta, é tudo o que eu consigo ver e pensar.
Por tantos anos defendi o poder das palavras e esqueci de me conceder o mesmo conselho que direcionei a todos aqueles que precisaram de mim. Hoje, sento no chão do quarto coberta pelo manto das sílabas pronunciadas que, de tão repetidas, tingiram minha pele de tal forma que não consigo mais me olhar no espelho sem vê-las refletidas de volta para mim. Quem sabia que cinco letras podiam ter tanto efeito?
Essa é uma tatuagem que não escolhi fazer conscientemente, mas foram minhas ações – e pensamentos – que a trouxeram até mim.
E não sei se há cirurgia que consiga apagá-la da minha alma.