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Meu ano na França: preparativos, parte III – o segundo dossiê

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Exatamente oito dias depois o responsável pelo serviço de relações internacionais de Poitier, o mesmo senhor com quem eu havia falado no final do ano anterior, enviou minha carta de aceite para a secretária de relações internacionais da UFRN, explicando que já mantinha contato comigo e meu professor. Essa carta é de importância crucial para todo o processo de mobilidade, e você não pode considerar que vai para a França antes de recebê-la da instituição de seu interesse. O processo costuma ser diferente para entrada em cursos de graduação e pós-graduação, e pelo que entendo por enquanto, para brasileiros interessados, se faz tudo pelo Campus France, mas se Deus permitir terei a oportunidade de saber mais e explicar tudo a vocês quando chegar a hora de voltar para cá para fazer meu mestrado. Por hora, nesse caso de processo de mobilidade acadêmica realizada dentro de um acordo entre as duas instituições, era necessário que eu desse entrada apenas no visto de estudante (visa d’étudiants), para que eu pudesse ficar legalmente um ano na França.

Essa fase foi dividida em duas etapas: uma no Campus France e uma com o consulado em si, sobre a qual dedicarei a próxima postagem.

O site para realizar a etapa do Campus France (CF)me foi indicado no e-mail que a Université de Poitiers (UP) enviou para a minha universidade, que me encaminhou com a indicação de que, com o fim dessa etapa, eu retornasse a eles. Não foi nem um pouco complicado, principalmente com a ajuda que tive de uma responsável do CF que foi visitar a Aliança Francesa (AF) da minha cidade.

É muito importante manter contato com a AF mais próxima de você. Não só eles oferecem oportunidades como essa, em que pude ter uma reunião particular com alguém que trabalhava no Campus France – que não existe em Natal – e por consequência, entendia sobre estudar na França. Aprendi muito e se não fosse pelo apoio que a diretora da Aliança me ofereceu durante todo esse processo, teria sofrido muito mais para chegar aqui.

Sobre a etapa Campus France em maiores detalhes: como eu já havia a carta de aceite, fui direto para a aba “Já estou aceito (dossiê pré-consular)”. O dossiê que você deve submeter completamente pelo site é bastante explicativo, embora você deva tomar cuidado no preenchimento de algumas informações, como por exemplo, a universidade em que você vai estudar. A minha, por exemplo, tem mais de uma sede, mas para conseguir selecionar o meu curso, que era mais relevante por ser uma informação mais específica, eu tinha de escolher a opção da minha universidade em que constavam todas as sedes. Parece complicado, mas a dica é fazer tudo com paciência e brincar um pouco com as opções do site até encontrar a que faça a sua resposta ficar o mais completa possível.

Algumas últimas considerações: o valor do processo Campus France que sim, é obrigatório é quinhentos reais, que devem ser pagos em, salve engano, dois dias úteis. Recomendo que você imprima a confirmação do pagamento para levar para o consulado. Não foi requerido a mim, mas vai quê, né? Se tem uma frase que definiu todo esse meu processo foi “melhor prevenir do que remediar”.

A próxima etapa, conforme indicado pelo e-mail enviado pelo próprio CF, era marcar a reunião no consulado responsável pela minha região… no caso do nordeste, em Brasília. Sim, eu tive de ir lá deixar o terceiro, e mais completo, mas também o último, dossiê. Falarei mais sobre isso em breve.

B.

P.S.: Quanto ao pagamento, tentem não se estressar tanto quanto eu! Recomendo que façam de alguma conta cujo titular seja você mesmo, porque acho que eles conferem o nome no comprovante, que você tem de enviar por e-mail. Quando paguei pela primeira vez, deu algum problema no Banco do Brasil e meu dinheiro foi devolvido, depois de eu ter já enviado o e-mail. Assim que percebi, efetuei o pagamento novamente e enviei o recibo correto, que foi o que eles consideraram, sem bronca. Boa sorte!

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Meu ano na França: preparativos, parte II – o primeiro dossiê

Église Notre-Dame-la-Grande, de Poitiers (2017, minha autoria)

Continuando a grande saga que me trouxe à França, começamos a história de hoje em fevereiro deste ano, quando o dia indicado pela responsável pela mobilidade acadêmica internacional da minha universidade, a UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), para dar início ao processo, finalmente chegou. Esta me encaminhou um e-mail com uma lista de documentos exigidos, que deveriam ser entregues à coordenação do meu curso, para que fosse aberto o processo em questão pelo SIPAC.

Os documentos em questão eram: o formulário de candidatura de mobilidade internacional, disponibilizado no mesmo e-mail mas facilmente encontrável no site do SRI, o histórico das disciplinas já cursadas, traduzidas para o francês no meu caso, atestado de índices acadêmicos, impresso via SIGAA, a carta de apresentação de um docente, uma cópia da folha de rosto do SIGAA, para que fosse possível ver minha porcentagem de integralização do curso, uma cópia do meu passaporte, e uma carta de intenção redigida por mim.

Parece simples, não é? Mas eis que estou aqui para explicar como foi o processo de confeccionar esse primeiro dossiê.

Primeiramente, esse formulário de candidatura apresenta um espaço em que devemos listar as matérias que pretendemos pagar, ao mesmo tempo em que colocamos em uma coluna ao lado as matérias a que aquelas equivalem na nossa universidade brasileira. Só isso já me demandou bastante tempo: tive de ir atrás da lista de matérias do curso de direito da Université de Poitiers (UP) aos alunos estrangeiros e comparar com a lista de matérias oferecida pelo meu próprio curso. Felizmente, a primeira é extremamente organizada, e prepara todos os anos um livre d’accueil que contém um catálogo de todo o curso. Meu mentor, o professor pra quem eu trabalho, já havia me ajudado a pré-selecionar todas as matérias que seriam interessantes para mim, então o esforço maior foi de encontrar matérias da UFRN que poderiam ser relacionadas às estrangeiras. Fiz isso graças ao recurso disponível no SIGAA que me permite ver todas as matérias ofertadas não somente pelo meu curso, mas também por todos da Universidade.

Mas havia ainda a escolha dos travaux dirigés, ou seja, dos trabalhos dirigidos. Trata-se da possibilidade de aumentar os créditos de uma única matéria de forma a aprofundar os ensinamentos da mesma, tudo à cargo do aluno, por meio de exercícios demandados, pesquisas na biblioteca, etc. Eu ainda não sei como funciona na prática, mas deixarei-os informados. Minhas aulas começam em setembro, e pretendo que vocês acompanhem cada passo.

Mesmo considerando isso, seria uma tarefa relativamente fácil se não fosse pelo fato de que esse plano de estudos tem de ser aprovado pela minha coordenação, no intuito de que quando eu voltasse para o Brasil perdesse o menor tempo possível. Idealmente, eu continuaria lá o nono semestre, mas quando retornar, pagarei as matérias do sétimo mesmo, tendo vindo para a França no fim do meu sexto período. Obviamente isso já era esperado por mim, considerando que mesmo que eu pagasse matérias que tivessem o mesmo nome daquelas que estavam reservadas para os meus sétimo e oitavo períodos, estas tratariam na UP do direito francês, e não do brasileiro. Mas a burocracia me fez escolher algumas matérias só para manter a formalidade, infelizmente. Contudo, mesmo tendo escolhido a quantidade necessária para preencher os requisitos relativos à quantidade de créditos, serei obrigada a fazer uma escolha dentro das matérias que coloquei no formulário, porque ainda não foram disponibilizados os horários das matérias e é provável que eles se choquem.

Informação interessante: em junho ocorreu um seminário de direito internacional econômico, o qual ajudei a organizar no âmbito do Núcleo de Pesquisas em Direito Internacional da UFRN. Um dos professores que trouxemos ensinava em Poitiers, e se ofereceu pra me ajudar a montar o horário perfeito, com base nas matérias em que eu gostaria de pagar. É essa última peneiragem que levarei em consideração na hora de me matricular nas matérias em si.

O histórico das disciplinas cursadas foi bem fácil de obter, mesmo traduzido: por meio do sigaa, imprimi o documento em português e entreguei no departamento de tradução da Secretaria de Relações Internacionais, que ficava duas portas ao lado da sala em que tratei acerca da minha mobilidade internacional. Demorou menos de uma semana para ficar pronto, embora uma única pessoa fizesse tradução para francês lá, e não custou absolutamente nada. O atestado de índices acadêmicos era igualmente impresso via SIGAA, e não precisava ser traduzido.

A carta do docente vinha com algumas especificações no e-mail enviado pela responsável da secretaria de relações internacionais, mas são mais recomendações do que obrigatoriedades, considerando que deveria ser redigida pela coordenação mas conversando com a mesma, pude pedir ao meu professor, que tinha me proposto a ida à França e com quem trabalhava a um ano, ou seja, me conhecia muito bem, que a redigisse.

A porcentagem de integralização do curso era uma informação importante para a secretaria porque você só pode abrir um processo de mobilidade antes de estar perto de concluir seu curso. Infelizmente, não consegui mais encontrar a informação exata, mas pelo que lembro é que faltando menos de 20% a 40% a mobilidade não é mais possível.

Eu já tinha passaporte, que havia sido renovado recentemente, então a cópia da folha de rosto dele não foi complicada de se obter, e a carta de intenções eu só pedi ajuda ao meu professor para que ele conferisse o meu francês – não queria fazer feio, né?

Tudo pronto, entreguei os documentos à minha coordenação, que os submeteu à SRI, e eu pude acompanhar todo o andamento pelo SIGAA. Depois, foi só esperar a análise do meu dossiê por parte da Université de Poitiers e torcer pela chegada da minha carta de aceite, que deveria ser a parte mais demorada de todo o processo.

No próximo post eu te conto quando a recebi.

B.

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Meu ano na França: preparativos, parte I – A escolha da universidade

Fonte: Tumblr

Pra quem não sabe, estou prestes a embarcar em uma nova aventura: um intercâmbio acadêmico na França, onde estudarei direito internacional por um ano na Université de Poitiers. Quero compartilhar com vocês tudo dessa viagem, os lugares que descobri, as pessoas que conheci, a saudade que senti da minha vida em Natal, mas não só na maneira usual de crônicas, contos e poemas. Resolvi que quero também escrever como se este blog não fosse meu diário pessoal público, e sim um blog, com dicas de viagem e passo a passo de todos os procedimentos que tive de realizar para chegar na França.

Inicialmente, preciso explicar que estudo Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e trabalho em um grupo de pesquisa que realizou um acordo de mobilidade acadêmica e de pesquisa com a já mencionada universidade francesa – entre outras, na verdade. Meu professor me escolheu para estrear esse acordo por decorrência do meu trabalho com ele, bem como do meu conhecimento de francês. Assim, meu primeiro passo foi ler o acordo estabelecido,  identificar que eu me encaixava na situação descrita, pesquisar o site da universidade, que no caso da minha é extremamente esclarecedor para alunos estrangeiros, e enviar um e-mail para a universidade de Poitiers. Esse e-mail se provou muito importante mais adiante, mesmo que a resposta tenha sido pouco esclarecedora naquele instante.

É importante esclarecer que o site da Secretaria de Relações Internacionais e Institucionais da UFRN apresentava um passo a passo com o qual eu já estava familiarizada quando entrei em contato com o serviço de relações internacionais da instituição francesa. Qualquer que seja a sua instituição, acho que esse é um bom ponto de partida para a sua programação.

Inicialmente, o responsável pelo serviço estava viajando, mas mesmo assim me respondeu dizendo que não seria nem um pouco complicado, e eu precisaria apenas cumprir com determinadas condições, entre elas, comprovar o meu nível B2 de francês. Eu lembro que na época fiquei louca, porque apesar de ter concluído dois cursos de francês, um na Aliança e outro no Senac aqui de Natal, ainda não fiz o DELF nem o DALF, e de fato, pretendia procurar obter essa certificação quando voltasse do meu intercâmbio. Telefonei para a Aliança, a instituição responsável pela realização do teste, e eles tinham acabado de realizar a sessão de novembro, e só realizariam novamente em junho. Imaginem meu pânico! O ano acadêmico começaria novamente em setembro, e o único prazo que era reiteradamente repetido em todos os lugares em que olhava da UE (Université de Poitiers, tá gente?) lembravam que o único prazo que realmente tinha de ser obedecido era o da demanda de acomodação, que eu precisava preencher porque queria ficar em uma residência universitária, por questões econômicas.

Após o retorno do responsável à universidade, recebi um novo e-mail me certificando de que o procedimento era bem simples: bastava que eles recebessem um e-mail de nomeação da minha universidade, por meio do qual a mobiliade seria oficialmente declarada. Após isso, o SRI francês me contactaria para resolver todos os outros procedimentos. O certificado de atestação de nível de língua, na realidade, não era exigido pela Université de Poitiers (confuso, mas aliviante).

Tentei seguir aquele passo-a-passo que coloquei ali em cima, então, mas a minha coordenação recomendou primeiro entrar em contato com a Secretaria de Relações Internacionais da UFRN. Era novembro, e eles prontamente disseram que não receberiam nenhum processo de mobilidade antes de fevereiro. Só me restava, então, aguardar, sabendo que o processo para o visto era trabalhoso e dependia de documentos que eu só receberia quando iniciasse o processo na minha universidade.

Bem, esse é o fim da primeira parte da saga! Logo, logo volto pra contar da maior parte dos preparativos, que começaram em fevereiro!

Obrigada pela sua atenção!

B.